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detetives existenciais me mordam!

A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive.

diário

niterói, 20 de dezembro de 2007
fui postar minhas correspondências natalinas e de súbito resolvi - deliberadamente - cortar caminho por dentro do shopping. pra lembrar a cara das pessoas nesses dias agitados de compras e mais compras.
num determinado momento me achei meio doente, levando cotoveladas e guarda-chuvadas e ainda assim sorrindo, numa espécie de alegria individual por não fazer parte daquilo.
nos corredores, gente corria, famílias se reencontravam, vendedores me sorriam de volta, mães brigavam com filhos e muitas mulheres circulavam como zumbis de olhos vazados atrás de alguma coisa que, com certeza, nem elas sabiam o que era.
se a vida fosse um filme, eu seria a única pessoa ali caminhando em slow-motion. e como grand finale uma luz escorregaria da clarabóia e no centro da confusão brotariam monstros, comunistas ou ets que diriam: ok, fiquem calmos, MAS ACABOU A PALHAÇADA!
em tempo: um gonzo-conceito de história que traduz o espírito do q quis dizer acima:
"(...) Enquanto o Ecstasy chovia na minha cabeça como bolas de sorvete quente, eu andei pela paisagem gótica de Londres pensando comigo que a história não passa duma série de eventos fabricados por futuros cadáveres pra romper a inevitável monotonia da vida."
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SIMUNEK, Chris. Paraíso na Fumaça. São Paulo: Conrad, 2002. pg.: 120.
[se meu professor predileto visse a citação acima, ficaria orgulhoso da minha boa memória e modos acadêmicos.]

*Balthasar pensa morrer

Algumas vezes o que eu falo soa tão discurso pronto, que eu me pergunto onde ficam escondidas essas coisas dentro de mim.

Esquete do Young Freud

Dois personagens masculinos, um baixo e outro mais alto, conversam. O mais baixinho faz uma observação capciosa sobre algum ato comum (com tom sexual). E o mais alto responde: “Boa pergunta, Freud!”

Explicação: Freud deve ter se feito perguntas muito capciosas e audazes enquanto observava situações corriqueiras, o que deu origem às suas teorias.

(play na fita com as gargalhadas!)


Por 3 minutos eu fui David Lynch:

Na sala de casa com mais 7 pessoas - sendo 4 em estágio de consciência alterada, uma louca de carteirinha, a Lila e um recém-chegado ao grupo, e sendo eu ainda prisioneira de mim mesma – conversamos sobre feijoada. A louca disse que usa um copo de cachaça branca e um de suco de laranja no caldo do feijão pra incorporar sabores. O mais chato dos caras de consciência alterada diz que melhor seria a cachaça amarela, pois a branca evapora mais rápido. Os dois discutem um pouco a respeito, mas não é esse assunto que vinga. O problema começa mesmo quando chegamos às lingüiças:

A louca cita vários tipos de lingüiça, e por fim diz “lingüiça portuguesa”, etc. O chato diz “portuguesa, você fala toscana?” Sinto a treta pronta, porque a Lila é ‘italianista’ (ou como quer que se chame um especialista em cultura italiana) e ela balança negativamente a cabeça, enquanto a louca enfatiza que “portuguesa é portuguesa e toscana é da Itália” onde eu emendo que “é lá daquela região onde eles fabricam lingüiças e mafiosos” (pra soar Saturday Night Live ou Monty Phyton no meio da sala confusa). É quando uma dupla inicia uma conversa paralela sobre arroz piemontese (A dupla começa a trocar a receita). O chato que fala por um lado e escuta por outro, ouve “piemontese” e tenta uma tirada triunfal dizendo para a louca “portuguesa que você fala é piemontese?”

(Esse foi o exato momento em que eu perdi o Juízo)

Senti cada nuance do Juízo pegando a mala e o chapéu, e saindo porta afora.

As receitas se confundiram, as vozes se misturaram e a bagunça que criei na minha mente foi por demais poética, assim, digna de um daqueles conflitos internos que o Lynch cria, em que o personagem fica totalmente perdido e a câmera roda; são inseridos flashs do passado com impressão de transparência para salientar a figura do passado-fantasma; a graduação das luzes varia em pontos específicos e qualquer um perde a lucidez. Não esqueçamos os close-ups.

Infelizmente, ainda não inventaram um projetor de imagens mentais.

(pena.)


O motor da vida

Ontem à noite também entendi o que se passa, o que procuro sempre, no café, no cabaré e no Voltaire: entender como provocar um sentimento em outra pessoa ou como provocar um ato natural.

Falo física, empírica e teoricamente, o que me interessa é como um filme te faz chorar, como um cheiro te leva pro passado, como um olhar te faz acreditar que eu te amo.

É processo, a cor que se usa, a entonação da voz. É perder a paciência no momento certo.

É “aprender a ler o livro da vida”. É entender os sinais.

Apreendendo isso posso conduzir a vida pela linha que quiser, pois vou saber que processos escolher dependendo do resultado que quiser buscar.

[Porque eu me recuso a acreditar que há um deus ex-machina atrás de mim e eu fantoche.]

Sou eu quem diz que chove, e pronto!

[Agora vou lá descobrir como]


*(E de pensar, morreu Balthasar.)

O filme Ao Azar de Balthasar foi um point-plot na minha ficção pessoal. E o grande problema de Balthasar era ser um burro-bicho com sentimentos, sendo excluído - por ser bicho-e-burro - de qualquer decisão a respeito dele mesmo e dos que amava. E de tanto ver penar, sofria demais Balthasar, o burro-bicho. E ontem a profusão de pensamentos me fez pensar que morreria, e então me reconciliei com o Balthasar- bicho-burro dentro de mim, pra que ambos não acabássemos assim...

Fim.

fazendo coro com a cora.

lendo a cora hoje, tipo... não que seja chocante, mas vale a gargalhada!
afinal de contas, qual o termômetro de uma pessoa influente?
ou, como fazer amigos e influenciar pessoas?